quinta-feira, 10 de maio de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de maio de 2011
LANÇAMENTO DO LIVRO DE TEATRO
Depois da apresentação do meu livro
TEATRO POPULAR DA MINHA TERRA ,
no CLUBE LITERÁRIO DO PORTO, que se realizou no passado dia 8 de Maio, segue-se agora o lançamento da obra no Algarve, cujo convite apresento.
Este é o convite que gostaria de ver os meus amigos presentes nesse dia.

Esta obra contem entre outras, algumas peças teatrais, que foram levadas a público nalgumas escolas secundárias onde leccionei (Almada, Faro, Olhão, Fuseta e Vila Real de S. António), e no Festival de Teatro do Algarve promovido pelo Inatel com algum exito.
TEATRO POPULAR DA MINHA TERRA ,
no CLUBE LITERÁRIO DO PORTO, que se realizou no passado dia 8 de Maio, segue-se agora o lançamento da obra no Algarve, cujo convite apresento.
Este é o convite que gostaria de ver os meus amigos presentes nesse dia.

Esta obra contem entre outras, algumas peças teatrais, que foram levadas a público nalgumas escolas secundárias onde leccionei (Almada, Faro, Olhão, Fuseta e Vila Real de S. António), e no Festival de Teatro do Algarve promovido pelo Inatel com algum exito.Compareçam!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS
No dia 18 de Maio - quarta-feira - DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS a minha Casa Museu estará aberta às vossas visitas no seguinte horário:

Manhã - Das 9,30 às 12,30 horas
Tarde - Das 14,30 às 17 horas
Poderá assistir a um Recital Poético pela autora e passagens de videos de diversas actividades culturais: teatro, cantares, marchas populares, recitais, hora do conto...
domingo, 3 de abril de 2011
O TEATRO POPULAR - AS LAVADEIRAS
Depois da peça - Era Assim o Natal, iremos assistir a outro espectáculo de teatro no dia 23 de Abril, pelas 21,30 horas, no Cinema Topázio - Fuseta- desta vez com o título: AS LAVADEIRAS, que faz parte duma peça de teatro, mais completa inserida na temática: Os Usos e Costumes da Minha Terra.
Todas as peças apresentadas e outras inéditas, irão fazer parte de um livro cujo título é: TEATRO POPULAR DA MINHA TERRA - da autoria de Maria José Fraqueza, sendo o seu 20º livro, que irá ser apresentado brevemente.
Quem estiver interessado no livro é favor contactar a autora:
mail:zezinhafraqueza@netcabo.pt
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O TEATRO POPULAR
No Dia de Natal foi apresentada da Peça de Teatro "ERA ASSIM O NATAL" da autoria de Maria José Fraqueza, a Cena I - A Casa Pobre - num espectáculo que além da representação teatral, teve a colaboração musical dos "Amigos Fusetenses" grupo constituído pelos consagrados artistas fusetenses - Sara Gonçalves e Domingos Caetano da afamada Banda Íris, entre outros jovens.
Foi um festa de Natal que encantou o público assistente.
Da peça de teatro, apresentamos algumas fotos que retratam alguns momentos
ocorridos como o "amassar das empanadilhas e brenhóis" em que as mulheres fusetenses partilhavam os seus segredos, na noite da consoada.
Esta peça completa percorreu o Algarve há 15 anos atrás, em espectáculos promovidos pela Delegação do Inatel de Faro, com grande êxito.
UM ASPECTO DA CENA EM QUE SE VÊ A MÃE DA ANEQUINHA , A PRÓPRIA E A VIZINHA AMBRÓISA QUE VEM AMASSAR OS FRITOS.
A VIZINHA JÓQUINA QUE CHEGOU DEPOIS PARTILHANDO DA AMASSADURA
Foi um festa de Natal que encantou o público assistente.
Da peça de teatro, apresentamos algumas fotos que retratam alguns momentos
ocorridos como o "amassar das empanadilhas e brenhóis" em que as mulheres fusetenses partilhavam os seus segredos, na noite da consoada.
Esta peça completa percorreu o Algarve há 15 anos atrás, em espectáculos promovidos pela Delegação do Inatel de Faro, com grande êxito.
UM ASPECTO DA CENA EM QUE SE VÊ A MÃE DA ANEQUINHA , A PRÓPRIA E A VIZINHA AMBRÓISA QUE VEM AMASSAR OS FRITOS.
A VIZINHA JÓQUINA QUE CHEGOU DEPOIS PARTILHANDO DA AMASSADURAELAS NA SUA TAREFA E A VELHOTA FAZ A TIPICA MEIA DE LÃ PARA OS PESCADORES

CONTINUANDO O SEU "ESTRABUCHE"...

CONTINUANDO O SEU "ESTRABUCHE"...
QUE ANDA NA "GERALDINHA" ATRÁS DOS CHAROLEIROS

REVELAM OS SEGREDOS DAS "BORREFAS DAS EMPANADILHAS"
ENQUANTO AMASSAM VÃO CANTANDO AS CANTIGAS DO SEU TEMPO...
A MANA ANEQUINHA NA CHAMINÉ ACENDE O FOGÃO PARA INICIAR AS FRITURAS
A VELHA MÃE CONTINUA O SEU SERÃO AGUARDANDO A CHEGADA DO GENRO
CHEGA A FILHA MAIS VELHA DA MERCIARIA DO SR. ANTONICO
A LUZ DO CANDIEIRO A PETROLEO APAGOU-SE....
AS VIZINHAS COM A MANA ANEQUINHA VÃO TENDER AS FILHÓS

REVELAM OS SEGREDOS DAS "BORREFAS DAS EMPANADILHAS"
ENQUANTO AMASSAM VÃO CANTANDO AS CANTIGAS DO SEU TEMPO...
A MANA ANEQUINHA NA CHAMINÉ ACENDE O FOGÃO PARA INICIAR AS FRITURAS
A VELHA MÃE CONTINUA O SEU SERÃO AGUARDANDO A CHEGADA DO GENRO
CHEGA A FILHA MAIS VELHA DA MERCIARIA DO SR. ANTONICO
A LUZ DO CANDIEIRO A PETROLEO APAGOU-SE....
AS VIZINHAS COM A MANA ANEQUINHA VÃO TENDER AS FILHÓSterça-feira, 28 de dezembro de 2010
CHAROLA "AS MATRAQUEIRAS"


O REGRESSO DAS MATRAQUEIRAS
Este grupo de Cantares de Natal - Charola Fusetense - "AS MATRAQUEIRAS" foi fundado por Maria José Fraqueza em Dezembro de 1992, tendo sido a sua primeira apresentação, no dia 2 de Janeiro de 1993, data em que se iniciam as charolas no Sotavento Algarvio. Percorreu todo o Algarve cantando de forma tradicional. O nome "matraqueiras" deriva dos instrumentos com que elas, quando crianças cantavam as janeiras pelas portas e casas dos senhores que lhe davam entrada. Era propriamente um grupo coral, sem instrumentos musicais.
Constituído por mulheres e crianças que eram ensaiadas pela sua fundadora.
Constituído por mulheres e crianças que eram ensaiadas pela sua fundadora.
Após algum tempo de ausência o Grupo reinciou a sua actividade e vai ter a sua primeira
exibibição publica no exterior, no dia 2 de Janeiro, pelas 16 horas no Largo da Igreja em Pechão, seguindo-se no dia 6 de Janeiro na sua terra Natal.
EXIBIÇÃO NA CIDADE DE FARO COM SEU TRAJE DE APRESENTAÇÃO
EXIBIÇÃO NO SPORT LISBOA E FUSETA COM TRAJE TIPICODo seu reportório apresentamos um cantico novo, com letra e música da autora, que foi muito aplaudido
NOITE GELADA
Foi numa noite gelada
Que o Menino Deus nasceu
Na cabana iluminada
A Estrela resplandeceu...
Natal, a mais linda noite de Luar
E a Virgem adorada
Como Mãe foi consagrada
Rainha e fada do Lar
REFRÃO
Pastores vieram de longe
Para o Menino Adorar
Trouxeram belos cordeiros
Do seu rebenho sem par...
Os Reis Magos num momento
Sem parar....
Caminharam ao relento
Pois creem no sacramento
Vêm Jesus adorar!
Naquela noite tão fria
Em que o anjo anunciou
- Bendita sejas Maria!
- Gloria in Excelcius soou...
Naquela noite tão bela, de encantar
Jesus mostrou nobre exemplo
Da Cabana fez um templo
Da manjedoura um Altar!
Menino Risonho
Brilhante o olhar
Por vezes, suponho
Ver nele o Luar.
Menino risonho
No meu sonho belo
Menino risonho
Menino te ponho
Noutro paralelo
Menino Risonho
Boquita de riso
Menino de sonho
Do meu paraiso.
Menino risonho
Menino de Luz
Menino risonho
Menino de Sonho
Menino Jesus!
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O ALTAR DO MENINO JESUS
O PRESÉPIO TRADICIONAL ALGARVIO PRESENTE NO MEU AUDITÓRIO



EXPOSIÇÃO NO AUDITÓRIO DA CASA MUSEU
O Altar do Menino Jesus é uma velha tradição dos meus avós louletanos
e da minha bisavó materna de S. Brás de Alportel que pretendi levar a efeito
em sua homenagem, presente ao público no Auditório da minha Casa Museu.
O altar está decorado de forma tradicional. As toalhas de altar foram executadas pela minha avó materna e pela minha mãe que eram umas artistas na arte de rendas e bordados.
(1º Premio - Conto Natal - Brasil)
O ALTAR DO MENINO JESUS
Por: Maria José Fraqueza
Algumas tradições natalícias vão extinguindo nos nossos dias. Embora alguns
mais agarrados a elas procurem mantê-las, há muitos costumes que foram desaparecendo. As crianças actuais já não vivem os velhos sonhos da inocência, esses sonhos num mundo de magia por desvendar, os seus sonhos cor de rosa feitos de pequenas ilusões... elas sabem já que os bébés não vêm no “ bico da cegonha” e os “pais natais” ou o “Menino Jesus”, também não descem às chaminés. As famílias mais tradicionais, principalmente nas aldeias serranas e algumas do litoral, tinham o hábito de fazer o Altar do Menino Jesus, a que alguns designam por “Presépio Tradicional do Algarve, costume de arte popular que foi bastante usual no século XIX.
A minha bisavó materna que ia sempre festejar o Natal a casa de sua mãe que vivia numa aldeia distante, com ela havia aprendido a fazer o Altar do Menino Jesus
– o Altar das Searinhas – tal como ela dizia.
Mal começava o mês de Dezembro, era chegado o dia oito – Dia de Nossa Senhora da Conceição e já em casa havia os grãos de trigo para as searinhas.
- Vamos pôr o trigo de molho nos pratinhos, a ver qual a searinha que mais cresce? – dizia entusiasmada a minha avó e continuava:
- Aquela que mais crescer será aquele que receberá mais bênçãos do Céu por ter cumprido os seus deveres, isto é, o Menino Jesus há-de colocar mais presentes no seu das para os diversos planos de escada do altar. Qual deles o melhor bordado, feito pelas suas mãos hábeis de mulher rendeira. E as lindas rendas de bilro e de crochet na ponta dos “naperons” bordados com lindos motivos.
Depois, vestia primorosamente o Menino, com um lindo vestido cheio de rendas, branco como a neve pura e colocava-o lá no cimo do altar, porque ele era o rei dos reis, dava-lhe um destaque especial.
Era lindo o menino de bracinhos elevados ao céu, de olhos brilhantes e boquinha de romã – uma relíquia de imagem de família, benzida pelo bispo da região.
- Avó quem fez este lindo vestido para o Menino Jesus? – perguntava ao ver aquela preciosidade rara. Não me dás para o meu boneco?
- Era só o que faltava... este vestido do Menino Jesus foi a minha bisavó que me deu, é como o vestido de baptizado do teu avô, relíquias que servem apenas para ocasiões mais solenes. O vestido do Menino Jesus é só dele.
- É verdade, ele também passou tanto frio, sem ter roupinhas, naquela pobre manjedoura ...
- Vês como tu és compreensiva, assim é que os meninos devem ser.
E o altar que fazia lembrar uma pirâmide, onde sobressaía o verde e alvura das toalhas de linho. Tudo ia ficando verdinho com as searinhas que cresciam dentro dos pratinhos. Uma decoração simples, singela, mas de tamanha beleza... e as lindas flores de papel, perfumadas com “água de cheiro da flor de laranjeira”,
que lhes dava um aspecto colorido... eram cravos e rosas... daí a velha quadra:
Ó Meu Menino Jesus
A sua capela cheira
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira a flor de laranjeira.
E lá vinham as vizinhas ver sempre o altar da Tia Emília, que era sempre o mais bonito. Todos os charoleiros iam lá cantar, junto daquele lindo altar.
Havia sempre uma porta aberta ao coração, as “filhóses de joelho”, quentinhas para dar a todos que batiam à porta, ou uma “lenguiça” com o belo pão caseiro, que ela amassava também com mestria.
O altar naquela casa era imprescindível, aprendera a fazê-lo naquela aldeia serrana, onde vivia a sua mãe.
Este velho costume trouxera ela para o litoral algarvio, porque havia casado com um pescador.
Quando recebia algum visitante ( nesta altura era hábito também a visita dos familiares), tal como no estrangeiroque na época natalícia se deslocam à sua terra natal, vinha sempre a Tia Antónia com um presente de laranjas, e uns colares feitos com bolotas para as crianças.
- Que colares são estes de “beletas”? – perguntei um dia aos vê-los.
- Isto é para comerem na noite de Natal para não terem dores de dentes!
Depois lá ia ela ver o famoso altar e ficava embevecida.
Cantavam a oração de Natal e ensinavam-nos velhas cantigas.
Era assim a adoração ao Menino Jesus feita nos lares. Igualmente pelasruas os “charoleiros” era portadores de um pequeno andor (charola) onde levavam o Menino Jesus pelas ruas, cantando ao som de “matracas” – eram as Janeiras de porta em porta, que anos depois começaram a surgiras actuais charolas.
O costume de fazer o altar decorado com as searinhas
foi-se extinguindo. Há quem faça o presépio, principalmente as igrejas e algumas instituições.
Actualmente, as árvores de Natal, exuberantes de luxo são predominantes – um contraste com os velhos hábitos que tinham um sabor mais natural, de acordo
com a humildade do Salvador do Mundo.
Por isso, eu jamais esqueço o Altar das Searinhas da casa da minha bisavó – o mais lindo presépio tradicional do meu Algarve.

EXPOSIÇÃO NO AUDITÓRIO DA CASA MUSEU
O Altar do Menino Jesus é uma velha tradição dos meus avós louletanos
e da minha bisavó materna de S. Brás de Alportel que pretendi levar a efeito
em sua homenagem, presente ao público no Auditório da minha Casa Museu.
O altar está decorado de forma tradicional. As toalhas de altar foram executadas pela minha avó materna e pela minha mãe que eram umas artistas na arte de rendas e bordados.
(1º Premio - Conto Natal - Brasil)
O ALTAR DO MENINO JESUS
Por: Maria José Fraqueza
Algumas tradições natalícias vão extinguindo nos nossos dias. Embora alguns
mais agarrados a elas procurem mantê-las, há muitos costumes que foram desaparecendo. As crianças actuais já não vivem os velhos sonhos da inocência, esses sonhos num mundo de magia por desvendar, os seus sonhos cor de rosa feitos de pequenas ilusões... elas sabem já que os bébés não vêm no “ bico da cegonha” e os “pais natais” ou o “Menino Jesus”, também não descem às chaminés. As famílias mais tradicionais, principalmente nas aldeias serranas e algumas do litoral, tinham o hábito de fazer o Altar do Menino Jesus, a que alguns designam por “Presépio Tradicional do Algarve, costume de arte popular que foi bastante usual no século XIX.
A minha bisavó materna que ia sempre festejar o Natal a casa de sua mãe que vivia numa aldeia distante, com ela havia aprendido a fazer o Altar do Menino Jesus
– o Altar das Searinhas – tal como ela dizia.
Mal começava o mês de Dezembro, era chegado o dia oito – Dia de Nossa Senhora da Conceição e já em casa havia os grãos de trigo para as searinhas.
- Vamos pôr o trigo de molho nos pratinhos, a ver qual a searinha que mais cresce? – dizia entusiasmada a minha avó e continuava:
- Aquela que mais crescer será aquele que receberá mais bênçãos do Céu por ter cumprido os seus deveres, isto é, o Menino Jesus há-de colocar mais presentes no seu das para os diversos planos de escada do altar. Qual deles o melhor bordado, feito pelas suas mãos hábeis de mulher rendeira. E as lindas rendas de bilro e de crochet na ponta dos “naperons” bordados com lindos motivos.
Depois, vestia primorosamente o Menino, com um lindo vestido cheio de rendas, branco como a neve pura e colocava-o lá no cimo do altar, porque ele era o rei dos reis, dava-lhe um destaque especial.
Era lindo o menino de bracinhos elevados ao céu, de olhos brilhantes e boquinha de romã – uma relíquia de imagem de família, benzida pelo bispo da região.
- Avó quem fez este lindo vestido para o Menino Jesus? – perguntava ao ver aquela preciosidade rara. Não me dás para o meu boneco?
- Era só o que faltava... este vestido do Menino Jesus foi a minha bisavó que me deu, é como o vestido de baptizado do teu avô, relíquias que servem apenas para ocasiões mais solenes. O vestido do Menino Jesus é só dele.
- É verdade, ele também passou tanto frio, sem ter roupinhas, naquela pobre manjedoura ...
- Vês como tu és compreensiva, assim é que os meninos devem ser.
E o altar que fazia lembrar uma pirâmide, onde sobressaía o verde e alvura das toalhas de linho. Tudo ia ficando verdinho com as searinhas que cresciam dentro dos pratinhos. Uma decoração simples, singela, mas de tamanha beleza... e as lindas flores de papel, perfumadas com “água de cheiro da flor de laranjeira”,
que lhes dava um aspecto colorido... eram cravos e rosas... daí a velha quadra:
Ó Meu Menino Jesus
A sua capela cheira
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira a flor de laranjeira.
E lá vinham as vizinhas ver sempre o altar da Tia Emília, que era sempre o mais bonito. Todos os charoleiros iam lá cantar, junto daquele lindo altar.
Havia sempre uma porta aberta ao coração, as “filhóses de joelho”, quentinhas para dar a todos que batiam à porta, ou uma “lenguiça” com o belo pão caseiro, que ela amassava também com mestria.
O altar naquela casa era imprescindível, aprendera a fazê-lo naquela aldeia serrana, onde vivia a sua mãe.
Este velho costume trouxera ela para o litoral algarvio, porque havia casado com um pescador.
Quando recebia algum visitante ( nesta altura era hábito também a visita dos familiares), tal como no estrangeiroque na época natalícia se deslocam à sua terra natal, vinha sempre a Tia Antónia com um presente de laranjas, e uns colares feitos com bolotas para as crianças.
- Que colares são estes de “beletas”? – perguntei um dia aos vê-los.
- Isto é para comerem na noite de Natal para não terem dores de dentes!
Depois lá ia ela ver o famoso altar e ficava embevecida.
Cantavam a oração de Natal e ensinavam-nos velhas cantigas.
Era assim a adoração ao Menino Jesus feita nos lares. Igualmente pelasruas os “charoleiros” era portadores de um pequeno andor (charola) onde levavam o Menino Jesus pelas ruas, cantando ao som de “matracas” – eram as Janeiras de porta em porta, que anos depois começaram a surgiras actuais charolas.
O costume de fazer o altar decorado com as searinhas
foi-se extinguindo. Há quem faça o presépio, principalmente as igrejas e algumas instituições.
Actualmente, as árvores de Natal, exuberantes de luxo são predominantes – um contraste com os velhos hábitos que tinham um sabor mais natural, de acordo
com a humildade do Salvador do Mundo.
Por isso, eu jamais esqueço o Altar das Searinhas da casa da minha bisavó – o mais lindo presépio tradicional do meu Algarve.
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